Um novo levantamento do Ministério das Mulheres revelou que as mulheres negras no Brasil ainda enfrentam profundas desigualdades salariais. De acordo com a quarta edição do Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado na última segunda-feira (3), elas recebem, em média, 53,3% a menos que os homens não negros.
O estudo utilizou dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), referentes a mais de 50 mil empresas com 100 ou mais funcionários em 2025. Foram analisados 19 mil vínculos trabalhistas, sendo 30% de mulheres e 70% de homens.
A pesquisa aponta que a remuneração média das mulheres negras é de R$ 2.986,50, enquanto os homens não negros recebem R$ 6.391,94. Quando considerados os salários de admissão, a diferença chega a 33,5%.
Apesar disso, o relatório indica avanços: desde 2023, o número de empresas com pelo menos 10% de mulheres negras cresceu 21,1%, passando de 29 mil para 35 mil no segundo semestre de 2025. Além disso, 23,1% das empresas afirmaram possuir ações afirmativas para incentivar a contratação de profissionais negras.
Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o desafio vai além da inclusão: é preciso garantir equidade real na remuneração e nas oportunidades.
“A inserção das mulheres no mercado não basta. É inaceitável que mulheres negras recebam apenas metade do rendimento de homens não negros. Nosso compromisso é ampliar medidas que corrijam essas distorções e fortaleçam políticas de apoio, como a licença-paternidade estendida e o auxílio-creche”, destacou a ministra.
Fonte: Alma Preta





