A desigualdade racial no acesso à saúde voltou ao centro do debate durante audiência pública realizada nesta segunda-feira (19), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O encontro destacou que a mortalidade materna entre mulheres negras no Brasil é mais que o dobro da registrada entre mulheres brancas.
Os dados foram apresentados a partir da pesquisa Nascer no Brasil II, desenvolvida pelo Ministério da Saúde em parceria com a Fiocruz. Segundo o levantamento, a taxa de mortalidade materna entre mulheres negras é de 100,38 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. Entre mulheres brancas, o índice é de 46,56.
A audiência foi promovida pela Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres e reuniu especialistas, representantes de movimentos sociais e órgãos públicos para discutir os impactos do racismo estrutural na saúde da população negra.
Durante o debate, participantes apontaram que a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, criada em 2009, ainda enfrenta dificuldades de implementação na maior parte dos municípios brasileiros. Segundo especialistas, a ausência de aplicação efetiva da política contribui para a permanência das desigualdades no atendimento à saúde.
Os indicadores apresentados também mostram maior incidência de hipertensão e diabetes entre mulheres negras. Enquanto 29,7% delas convivem com hipertensão, entre mulheres brancas o índice é de 25,4%. Já os casos de diabetes atingem 9,7% das mulheres negras, contra 7,2% das brancas.
Outro ponto levantado foi a dificuldade de acesso ao pré-natal e ao diagnóstico precoce de doenças, como o câncer, especialmente em regiões periféricas e populações vulnerabilizadas.
A audiência também discutiu a necessidade de políticas públicas voltadas ao enfrentamento das desigualdades raciais, de gênero e de classe. Representantes de movimentos sociais defenderam ações estruturais para ampliar o acesso à saúde e garantir atendimento mais humanizado às mulheres negras.
O encontro contou com a participação de integrantes da Defensoria Pública, da Superintendência Estadual de Igualdade Racial, do Movimento Negro Unificado e de organizações de mulheres e coletivos culturais.
Fonte: Diario do Rio





