Levantamento mostra que diferença na remuneração entre profissionais autônomos brasileiras supera a média global e é a maior da América Latina
As mulheres que atuam como freelancers no Brasil cobram, em média, 25,6% menos por hora de trabalho do que os homens, segundo um levantamento da empresa de serviços financeiros Remitly. A diferença coloca o país acima da média global de desigualdade salarial entre profissionais autônomos, estimada em 19%.
De acordo com o estudo, as freelancers brasileiras cobram, em média, US$ 27,57 por hora, enquanto os homens estabelecem uma remuneração média de US$ 37,06 pelo mesmo período de trabalho.
A pesquisa analisou informações de mais de 58 mil profissionais cadastrados na plataforma internacional Upwork, utilizada para contratação de trabalhadores independentes em diversas áreas de atuação.
Brasil lidera desigualdade na América Latina
Além de apresentar uma disparidade superior à média mundial, o Brasil aparece como o país com maior diferença salarial entre homens e mulheres freelancers na América Latina.
Na sequência aparecem Argentina (25,3%), Peru (24,8%), Venezuela (19,2%), México (18,9%) e Costa Rica (18,2%). A Colômbia registrou uma das menores diferenças da região, com um índice de 13,5%.
Em escala global, a maior desigualdade foi identificada na Tailândia, onde a diferença entre os valores cobrados por homens e mulheres chega a 51,7%.
Marketing concentra maior diferença
Entre as áreas analisadas no Brasil, a maior disparidade foi encontrada entre consultores de marketing. Nesse segmento, mulheres cobram, em média, 65,6% menos do que os homens pela prestação de serviços.
O levantamento também identificou diferenças relevantes em outras profissões e setores da economia freelance, evidenciando que a desigualdade de remuneração varia conforme a área de atuação.
Cenário global
No conjunto dos países analisados, as maiores disparidades foram observadas nas áreas de finanças e contabilidade, design, produção de conteúdo audiovisual e serviços jurídicos.
Segundo o estudo, os resultados indicam que a economia do trabalho freelancer apresenta dinâmicas próprias e que a redução das desigualdades salariais nesse mercado exige estratégias específicas, diferentes das adotadas para o emprego formal.
Os pesquisadores destacam que fatores como posicionamento profissional, negociação de valores e acesso a mercados internacionais influenciam a remuneração dos trabalhadores autônomos, mas ressaltam que a desigualdade de gênero permanece presente também nesse modelo de trabalho.
Fonte: Jota





