Dados revelam que o impacto da violência de gênero é ainda mais intenso entre mulheres negras, evidenciando a relação entre racismo e desigualdade
As mulheres negras seguem sendo as principais vítimas de feminicídio no Brasil. De acordo com dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, elas representam 65% dos casos registrados desse crime no país, apesar de corresponderem a cerca de 56% da população feminina brasileira.
O levantamento também mostra que, embora os homicídios de mulheres tenham apresentado redução, os casos de feminicídio cresceram, reforçando a persistência da violência motivada pelo gênero.
Além disso, a desigualdade racial se reflete nos índices de mortes violentas intencionais: mulheres negras respondem por 74,6% das vítimas, evidenciando que raça e gênero são fatores que ampliam a vulnerabilidade à violência.
Violência exige olhar interseccional
Especialistas defendem que o enfrentamento desse cenário passa por uma abordagem interseccional, conceito que considera como diferentes formas de discriminação, como racismo, sexismo e desigualdades socioeconômicas, atuam de maneira simultânea e intensificam a exclusão e a violência vividas por determinados grupos.
Essa perspectiva contribui para compreender por que mulheres negras enfrentam obstáculos específicos no acesso à proteção, à justiça, à saúde e a outras políticas públicas.
Luta histórica por direitos
A defesa dos direitos das mulheres negras é resultado de uma trajetória construída por movimentos sociais e intelectuais ao longo de décadas. Marcos históricos, como o discurso da abolicionista Sojourner Truth, em 1851, e o reconhecimento do 25 de julho como Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, fortaleceram o debate sobre a relação entre racismo e desigualdade de gênero.
No Brasil, pensadoras como Lélia Gonzalez tiveram papel fundamental na produção de conhecimento sobre a realidade das mulheres negras e na formulação de conceitos que influenciam até hoje as discussões sobre direitos humanos, igualdade racial e justiça social.
Desafios permanecem
Apesar dos avanços na visibilidade do tema e na ampliação do debate público, especialistas e movimentos sociais apontam que as mulheres negras continuam enfrentando barreiras estruturais em diversas áreas, como segurança, saúde, participação política e acesso a direitos.
Os dados reforçam a importância de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero com recorte racial, buscando reduzir as desigualdades e garantir proteção integral às mulheres em todas as suas realidades.
Fonte: Folha de São Paulo





