Registros feitos pelo Ligue 180 apontam crescimento expressivo de casos envolvendo perseguição virtual, exposição de imagens íntimas e outros crimes praticados no ambiente online
As denúncias de violência digital contra mulheres registraram um crescimento de 188% nos primeiros cinco meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são do Ministério das Mulheres, com base nos atendimentos realizados pela Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180.
Entre janeiro e maio deste ano, foram contabilizadas 16.725 denúncias relacionadas a crimes praticados no ambiente digital, frente a 5.795 registros no mesmo período de 2025. Com esse aumento, a violência online passou a ocupar a quinta posição entre os contextos com maior número de denúncias recebidas pelo serviço.
De acordo com o ministério, a maioria dos registros foi realizada pelas próprias vítimas. Os dados indicam ainda que mulheres negras representam 48% das denunciantes, enquanto a faixa etária mais recorrente é a de 35 a 44 anos, que corresponde a 21,6% dos casos.
Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o crescimento está relacionado ao aumento da divulgação do canal e à ampliação do conhecimento sobre os diferentes tipos de violência que podem ser denunciados.
Segundo ela, muitas situações anteriormente não eram reconhecidas pelas vítimas como formas de violência, o que contribuía para a subnotificação dos casos.
As informações coletadas pelo Ligue 180 também têm servido como base para a formulação de políticas públicas direcionadas a grupos específicos. O ministério afirma que a análise dos dados permite identificar perfis mais vulneráveis e desenvolver estratégias de prevenção e acolhimento adequadas às diferentes realidades das mulheres brasileiras.
Diante do aumento das ocorrências, o governo federal anunciou mudanças nos protocolos de atendimento do Ligue 180. A iniciativa inclui a capacitação dos profissionais para identificar e orientar vítimas de crimes digitais, como perseguição virtual, invasão de contas, divulgação não autorizada de imagens íntimas e produção de conteúdos falsos por meio de inteligência artificial, incluindo os chamados deepfakes.
O Ministério das Mulheres também pretende ampliar a qualificação dos dados coletados, em parceria com observatórios, universidades e instituições de pesquisa, para aprimorar o monitoramento da violência de gênero nos ambientes digitais.
Atualmente, cerca de 30% das ligações recebidas pelo Ligue 180 resultam em denúncias formais. Os demais atendimentos são voltados à orientação e ao esclarecimento de dúvidas sobre direitos, serviços de proteção e situações que podem configurar violência.
A pasta reforça a importância de buscar atendimento sempre que houver suspeita ou dúvida sobre algum tipo de agressão, destacando que o acesso à informação é uma ferramenta fundamental para o enfrentamento da violência contra as mulheres, tanto nos espaços físicos quanto no ambiente virtual.
Fonte: Notícias Uol





