Cortes no financiamento internacional comprometem serviços essenciais e ameaçam organizações que atuam na proteção de mulheres em contextos de crise e conflito
Pelo menos um milhão de mulheres e meninas deixaram de receber assistência humanitária desde janeiro de 2025 em consequência dos cortes no financiamento internacional destinado a organizações que atuam em regiões afetadas por conflitos e crises. O alerta é de um relatório divulgado pela ONU Mulheres.
Segundo a agência, a redução dos recursos tem comprometido a oferta de serviços essenciais, como acolhimento, proteção, atendimento psicossocial e apoio a vítimas de violência. A situação se agravou após a diminuição do financiamento destinado a programas humanitários internacionais ao longo de 2025.
A diretora de Ação Humanitária da ONU Mulheres, Sofia Calltorp, afirmou que o número de mulheres afetadas pode ser ainda maior do que o registrado pelo levantamento. Para ela, os dados representam apenas parte da dimensão do problema e evidenciam uma situação considerada preocupante.
O relatório reúne informações de 855 organizações não governamentais que atuam em 52 países impactados por conflitos, desastres e crises humanitárias. De acordo com o estudo, nove em cada dez organizações afirmam que já não conseguem atender às necessidades atuais da população devido à redução dos recursos disponíveis.
As entidades lideradas por mulheres estão entre as mais afetadas pelos cortes. Em muitos casos, elas são responsáveis por prestar atendimento em locais onde organizações internacionais têm dificuldade de atuar, como em regiões do Afeganistão, da República Democrática do Congo e do Haiti.
O levantamento também mostra que 65% das organizações dirigidas por mulheres mantêm parte de suas atividades graças ao trabalho voluntário de suas equipes, que continuam prestando atendimento mesmo sem remuneração.
Ao mesmo tempo, a demanda por serviços cresce. Segundo o relatório, 86% das organizações consultadas relataram aumento da violência de gênero nas comunidades onde atuam. O documento também aponta crescimento dos casos de violência sexual relacionada a conflitos armados ao longo de 2025.
Para a ONU Mulheres, a redução do financiamento ocorre em um cenário de retrocessos nos direitos das mulheres em diversas partes do mundo, comprometendo a capacidade de resposta das organizações que atuam na prevenção da violência, no acolhimento de vítimas e na promoção da igualdade de gênero.
Fonte: Notícias Uol





