Mulheres e meninas do povo Tremembé da Barra do Rio Mundaú, em Itapipoca (CE), participaram, em 14 de novembro, de um workshop sobre boas práticas de manipulação de alimentos. A ação integra o projeto Solaris – Mulheres e Meninas na Ciência, da Embrapa Agroindústria Tropical, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O projeto concede bolsas a 47 participantes de comunidades agricultoras e indígenas nos vales dos rios Curu (Paraipaba) e Aracatiaçu (Itapipoca). A proposta é fortalecer a autonomia feminina por meio do acesso ao conhecimento científico, tecnologias sustentáveis e desenvolvimento comunitário.
Durante o encontro, foram trabalhados temas como segurança alimentar, inovação na produção de alimentos e inclusão de mulheres em áreas historicamente masculinizadas. A coordenação destacou que a troca entre saberes tradicionais e conhecimento acadêmico é essencial para ampliar oportunidades e promover independência econômica.
Para Júlia de Castro, estudante da Escola Indígena Abrolhos da Terra e bolsista do Solaris, aprender sobre técnicas adequadas de preparo e conservação dos alimentos é também uma forma de construir novas possibilidades de renda na própria comunidade.
A oficina foi conduzida por uma estudante de Engenharia de Alimentos, com orientação de pesquisadoras parceiras. O envolvimento de jovens mulheres como multiplicadoras do conhecimento reforça um dos pilares do projeto: inspirar novas trajetórias acadêmicas e profissionais.
Mais iniciativas
Além das oficinas com foco na produção de alimentos, o Solaris tem promovido atividades sobre manejo sustentável, bem-estar e fortalecimento emocional, reunindo agricultoras familiares, estudantes e lideranças comunitárias.
O que vem pela frente
Ao longo de três anos, as bolsas vão apoiar a formação de jovens em áreas como água, energia, alimentação, ciências exatas e tecnologia. As ações contam com a parceria de universidades, organizações sociais e escolas públicas de Paraipaba e Itapipoca, com atenção especial à participação das mulheres indígenas Tremembé.
O objetivo é claro: garantir que meninas e mulheres sejam protagonistas nas decisões que transformam seus territórios — desde a produção de alimentos até a pesquisa científica.
Fonte: Embrapa





