No Dia da Consciência Negra, celebrado nesta quarta-feira (20), a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destaca a importância de reconhecer a história, a resistência e a contribuição das pessoas negras para o Brasil. Em seu artigo, ela ressalta especialmente o papel das mulheres e meninas negras, que sustentam o cotidiano do país, produzem cultura, ciência, trabalho e afeto — muitas vezes sem o devido reconhecimento.
A data, afirma a ministra, é de celebração, mas também de responsabilidade. É um convite a lembrar que a igualdade racial e de gênero ainda está longe de ser alcançada e que avançar nessa pauta depende de toda a sociedade.
Violência racial e de gênero: realidade ainda gritante
Os números confirmam aquilo que as mulheres negras enfrentam diariamente. Elas são maioria entre as vítimas de homicídios de mulheres e feminicídios — representando cerca de dois terços desses crimes — e também estão entre as principais vítimas de violência sexual e outras formas de agressão.
Para Márcia Lopes, esses dados não são apenas estatísticas: revelam um padrão histórico de violência que recai com mais força sobre quem vive na junção entre racismo e desigualdade de gênero.
Ela afirma que o racismo “cala, sufoca e mata”, ao impor barreiras ao pleno exercício da vida das mulheres negras: limita oportunidades, restringe espaços, reduz salários e naturaliza a desumanização de seus corpos. Quando somado ao machismo, esse cenário se agrava, transformando o cotidiano em um território marcado pelo medo — seja no lar, nas ruas, no transporte, no trabalho ou nas redes.
Início dos 21 Dias de Ativismo
O 20 de novembro também marca o início da campanha 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência e do Racismo contra as Mulheres, que segue até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.
A ministra destaca que esse período reforça um compromisso: não permitir que racismo e sexismo sigam determinando o presente e o futuro de mulheres e meninas — especialmente negras. Para isso, cada política, ação e mobilização deve estar alinhada à urgência da realidade enfrentada por elas.
Uma pauta política e inadiável
Segundo Márcia Lopes, valorizar a vida de pessoas negras significa ir além do reconhecimento simbólico. Significa enfrentar as estruturas que mantêm desigualdades e violências. É trabalhar por um país onde cor e gênero não definam quem tem mais chances de viver, estudar, trabalhar, circular com segurança ou ocupar espaços de poder — nem quem pode sonhar sem medo.
Ela afirma que o Ministério das Mulheres está comprometido em enfrentar o cenário de violência que afeta especialmente mulheres e meninas negras, transformando indignação em políticas públicas capazes de garantir proteção real.
Compromisso permanente
A ministra encerra o artigo dirigindo-se diretamente às mulheres e meninas negras, reafirmando respeito, prioridade e compromisso:
O governo federal, sob liderança do presidente Lula, continuará trabalhando para que o direito a uma vida livre de violência, racismo e discriminação deixe de ser promessa e se torne realidade cotidiana.
Fonte: Agência GOV





