Especialistas reforçam importância do diagnóstico precoce e dos cuidados contínuos com a saúde; experiência de paciente mostra impactos que podem permanecer durante e após o tratamento
O diagnóstico do câncer de mama pode provocar mudanças que ultrapassam os efeitos físicos da doença. Além das etapas de investigação e tratamento, mulheres podem enfrentar alterações na imagem corporal, na autoestima e na maneira como se relacionam com o próprio corpo, especialmente quando o tratamento envolve procedimentos como a mastectomia.
O tema está no centro de uma edição especial do programa Pautas Femininas, dedicada ao Outubro Rosa. A produção aborda prevenção, fatores de risco, sinais que precisam ser investigados e a importância do diagnóstico precoce.
A entrevistada é a oncologista Luci Ishii, fundadora e presidente de honra da Associação Brasiliense de Apoio ao Paciente com Câncer. Durante o programa, a médica explica quais alterações nas mamas merecem atenção e em quais situações é necessário procurar um serviço de saúde.
Diagnóstico precoce amplia possibilidades de tratamento
Conhecer o próprio corpo pode ajudar a mulher a perceber mudanças que precisam ser avaliadas por um profissional.
Nódulos ou caroços persistentes, alterações na pele da mama, mudanças recentes no formato do mamilo, saída espontânea de líquido e presença de nódulos nas axilas estão entre os sinais que podem exigir investigação.
A presença dessas alterações não significa necessariamente câncer. O diagnóstico só pode ser confirmado após avaliação médica e realização dos exames indicados para cada caso.
A identificação da doença em estágios iniciais está associada a maiores possibilidades terapêuticas e melhores resultados. Por isso, além da investigação de sinais suspeitos, a realização da mamografia conforme as recomendações de rastreamento e as características individuais de cada mulher exerce papel importante na detecção precoce.
Cuidado precisa continuar depois de outubro
A campanha Outubro Rosa amplia anualmente a discussão sobre o câncer de mama, mas a atenção à saúde precisa permanecer durante todo o ano.
Entre os cuidados abordados estão a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, manutenção de um peso adequado e acompanhamento periódico da saúde.
Também é importante que cada mulher converse com profissionais de saúde sobre seus fatores individuais de risco, histórico familiar e necessidade de exames específicos.
A conscientização, portanto, não se resume à realização de exames durante o mês de outubro, mas envolve a construção de uma rotina contínua de atenção ao próprio corpo.
Tratamento também pode transformar a relação com o corpo
Além das orientações médicas, o programa apresenta a experiência da esteticista Joana D’arc, que passou pelo diagnóstico e tratamento do câncer de mama.
Ela relata o percurso desde a descoberta do tumor até a cirurgia e a reconstrução mamária e aborda os impactos provocados pela mastectomia na autoestima.
A retirada total ou parcial da mama pode representar uma mudança significativa na percepção corporal de algumas pacientes. Cicatrizes, queda de cabelo decorrente de determinados tratamentos e outras transformações físicas também podem interferir na maneira como a mulher se reconhece e se relaciona socialmente.
Joana D’arc relata ainda situações de preconceito enfrentadas durante e depois do tratamento, acrescentando outra dimensão ao processo de recuperação.
A reconstrução mamária pode fazer parte desse percurso para algumas pacientes, mas a relação de cada mulher com o próprio corpo e com as mudanças provocadas pelo tratamento é individual.
Ao reunir orientação médica e a experiência de quem enfrentou a doença, o debate proposto pelo Pautas Femininas reforça que o cuidado com o câncer de mama envolve diferentes dimensões da saúde feminina. Diagnóstico e tratamento são fundamentais, mas acolhimento, informação e atenção aos impactos emocionais e à autoestima também fazem parte desse processo.
Fonte: Agência Senado





