Levantamento identifica diferenças nas buscas por informações financeiras e mostra crescimento de até 83% na procura por soluções para reorganizar as contas
Em um cenário de endividamento elevado no Brasil, homens e mulheres parecem adotar estratégias diferentes para buscar informações e lidar com as próprias finanças. É o que indica um levantamento realizado pelo Pagou Fácil, plataforma de negociação de dívidas da Paschoalotto, a partir da análise de pesquisas feitas no Google, Google Notícias e Google Shopping entre julho de 2025 e maio de 2026.
O estudo identificou diferenças na procura pelos termos “endividado” e “inadimplente”. Enquanto as mulheres pesquisaram proporcionalmente mais sobre inadimplência, os homens demonstraram maior interesse por informações relacionadas ao endividamento.
No período analisado, as buscas pelo termo “endividamento” cresceram 83%, enquanto as pesquisas relacionadas à “inadimplência” aumentaram 22%.
Para Geovanni Borsetto, superintendente de Marketing e Comunicação do Pagou Fácil, o comportamento pode estar relacionado à forma como as responsabilidades financeiras são distribuídas historicamente dentro das famílias.
Segundo ele, mulheres que estão mais envolvidas na administração do orçamento doméstico podem procurar alternativas principalmente quando as contas já estão atrasadas. Os homens, por outro lado, apresentariam maior procura por informações relacionadas ao nível de comprometimento financeiro antes que a dívida se transforme em inadimplência.
Mulheres assumem papel central nas finanças familiares
Os dados sobre comportamento financeiro também acompanham mudanças na estrutura dos lares brasileiros. De acordo com informações da Fundação Getulio Vargas (FGV), mais de 41 milhões de domicílios no país são chefiados por mulheres, que representam as principais responsáveis financeiras em mais da metade das famílias.
Essa maior participação na administração das finanças ocorre, entretanto, em um cenário marcado pela desigualdade de renda. Segundo o levantamento, três em cada quatro mulheres ocupadas recebem até dois salários mínimos, proporção superior à registrada entre os homens.
A diferença também aparece nos índices de inadimplência. Cerca de 36% das mulheres estão com o nome negativado, ante 30% dos homens.
Endividamento e inadimplência não são a mesma coisa
Apesar de frequentemente utilizados como sinônimos, os conceitos de endividamento e inadimplência representam situações diferentes.
O endividamento ocorre quando uma pessoa possui compromissos financeiros, como empréstimos, financiamentos ou compras parceladas, que ainda estão sendo pagos dentro dos prazos estabelecidos.
Já a inadimplência acontece quando uma obrigação financeira não é paga na data de vencimento. Nesse caso, podem ser cobrados juros e multas e o consumidor pode sofrer restrições de crédito.
“Essa diferença importa na hora de agir. Quem está apenas endividado, mas em dia, ainda consegue reorganizar o orçamento de forma preventiva. Já quem está inadimplente precisa negociar diretamente com os credores para renegociar dívidas, reduzir encargos e recuperar o nome”, explica Borsetto.
Pressão financeira também afeta a rotina
O impacto do endividamento não se limita ao orçamento. O acúmulo de contas e a dificuldade para manter os pagamentos em dia também podem contribuir para o aumento do estresse, da ansiedade e das dificuldades para dormir.
Esse cenário pode criar um ciclo difícil de interromper: quanto maior a pressão financeira, mais difícil pode ser encontrar condições para organizar as contas e estabelecer um planejamento de longo prazo.
Como reorganizar as finanças
A primeira recomendação para quem enfrenta dificuldades financeiras é identificar o tamanho real do problema. Isso envolve listar as fontes de renda, despesas fixas, gastos variáveis e todas as dívidas existentes.
“O primeiro passo é fazer um diagnóstico completo da situação, mapeando todas as fontes de renda, despesas fixas e dívidas. A partir desse levantamento, é possível identificar onde ajustar o orçamento e definir prioridades, especialmente em relação às dívidas com juros mais elevados”, orienta Borsetto.
Outra medida é revisar despesas não essenciais e evitar assumir novos compromissos enquanto o orçamento estiver desequilibrado. Para quem já está inadimplente, também é importante buscar os credores e avaliar possibilidades de renegociação que sejam compatíveis com a capacidade de pagamento.
A organização financeira deve ser acompanhada de forma contínua. Além de ajudar na regularização das dívidas atuais, o planejamento pode contribuir para recuperar o acesso ao crédito e diminuir o risco de uma nova situação de inadimplência.
Fonte: Exame





