A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia, afirmou que homens e mulheres devem atuar juntos para enfrentar a violência e as desigualdades de gênero no país. A declaração foi feita nesta segunda-feira (16), durante a abertura do simpósio “UniversiDelas”, realizado pela Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza.
Durante a palestra, a ministra defendeu que a sociedade não naturalize diferentes formas de violência e reaja a esse cenário. Segundo ela, o país enfrenta uma realidade marcada por violações recorrentes de direitos das mulheres, o que exige mobilização coletiva para sua superação.
Cármen Lúcia destacou que o aumento dos casos de feminicídio evidencia falhas na garantia de direitos e compromete os princípios democráticos. Para a ministra, a ausência de igualdade de oportunidades e de respeito à dignidade feminina enfraquece o próprio Estado Democrático de Direito.
Ao abordar o papel das leis, ela mencionou a importância da Lei Maria da Penha como instrumento de proteção, mas ressaltou que a existência da legislação, por si só, não é suficiente para eliminar a violência.
Desigualdade nos espaços de poder
A ministra também chamou atenção para a baixa participação feminina em espaços de decisão. Segundo ela, as mulheres ainda ocupam menos de 20% dos cargos eletivos no país, além de haver tribunais sem presença feminina na magistratura.
No campo eleitoral, Cármen Lúcia apontou que grande parte dos processos analisados pelo TSE nas eleições recentes envolve fraudes relacionadas às cotas de gênero, o que revela obstáculos estruturais à participação política das mulheres.
Ela destacou ainda que a violência contra mulheres não se limita à dimensão física, incluindo também ataques no ambiente político e nas redes sociais, que frequentemente buscam descredibilizar e afastar mulheres de posições de liderança.
Democracia e desinformação
Em outro evento, realizado pela Universidade Estadual do Ceará, a ministra alertou para os riscos da desinformação e do uso inadequado de tecnologias, especialmente da inteligência artificial, para a democracia.
Segundo Cármen Lúcia, a disseminação massiva de conteúdos — muitas vezes falsos ou manipulados — pode comprometer a capacidade das pessoas de tomar decisões informadas. Ela destacou fatores como o grande volume de informações, a velocidade de circulação e a aparência de veracidade como elementos que dificultam a identificação de conteúdos enganosos.
A ministra reforçou que a democracia depende de construção contínua e da participação ativa da sociedade. Para ela, a educação e o acesso à informação de qualidade são fundamentais para garantir liberdade, igualdade e o fortalecimento das instituições democráticas.
Fonte: TSE





