Enquanto estudam para conquistar estabilidade e espaço público, muitas mulheres enfrentam uma árdua batalha interna: a sobrecarga emocional. Em entrevista a Rádio Senado, a auditora e especialista em métodos de estudo Karine Waldrich chama atenção para o impacto da tripla jornada (trabalho, estudos e responsabilidades domésticas/familiares) sobre o equilíbrio psicológico e o desempenho nos concursos.
O peso da tripla jornada
“São muitas mulheres que, depois de cumprir uma jornada de trabalho, chegam em casa e ainda precisam lidar com tarefas domésticas, filhos, demandas emocionais — e aí sentam para estudar”, explica Karine. Esse acúmulo, segundo ela, corrói a energia emocional, torna mais difícil manter foco e disciplina, e pode levar ao esgotamento.
Para ela, a preparação para concurso não deve ser vista apenas pela lente da produtividade ou memorização. O emocional precisa ser parte integrante dessa jornada: “quando o psicológico está abalado, nem toda técnica de estudo funciona bem. O cansaço mental mina a capacidade de absorver, raciocinar e persistir”.
Estudo como projeto de vida
Karine defende que o estudo para concurso seja encarado como um compromisso de longo prazo, e não uma maratona momentânea. E para que isso seja sustentável, é necessário reconhecer limites e construir estratégias de cuidados emocionais, como pausas, autocuidado e descentralização da culpa. “A pressão de ser multifuncional — estudar, trabalhar, cuidar — exige que planejemos o emocional com tanto rigor quanto planejamos o cronograma”, afirma.
Barreiras que falam mais alto
Em muitos casos, essas mulheres relatam sentir-se culpadas por desacelerar ou priorizar o descanso. A voz interna do “não estou fazendo o suficiente” surge muitas vezes como um inimigo silencioso. Essa carga extra pode levar à ansiedade, insônia e sensação de inadequação — especialmente quando os resultados não vêm na velocidade desejada.
Além disso, Karine ressalta que a falta de estruturas de apoio — como políticas públicas que considerem mulheres em preparação, espaços de acolhimento psicológico ou suporte educativo — torna tudo ainda mais difícil para quem já carrega desigualdades sociais de gênero.
Caminhos possíveis
Para ela, algumas atitudes simples, porém constantes, podem fazer diferença:
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inserir pausas regulares e planejadas no cronograma
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reservar momentos de repouso mental (meditação, leitura leve, caminhada)
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permitir-se falhas e aprendizados constantes
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buscar redes de apoio (grupos de estudo, terapia, apoio entre amigas concurseiras)
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reorganizar tarefas domésticas sempre que possível, compartilhando responsabilidades
Karine reforça: “quando uma mulher cuida da própria saúde mental, ela fortalece sua resiliência. Isso reflete nos estudos, no corpo e na vida.”
Fonte: Agência Senado





