Antes mesmo de completar o primeiro mês de 2026, Mato Grosso do Sul já registra números expressivos de violência doméstica contra mulheres. Apenas nos dez primeiros dias do ano, 478 mulheres foram vítimas desse tipo de crime, segundo dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
Dos 79 municípios do estado, apenas 15 não registraram ocorrências no período. Campo Grande concentrou o maior número de casos, com 155 registros, mantendo-se como o município com maior incidência de notificações.
O levantamento aponta que a violência atinge principalmente mulheres adultas entre 30 e 59 anos, seguidas por jovens de 18 a 29 anos. No entanto, os dados revelam que as agressões atravessam diferentes faixas etárias: 39 casos envolveram idosas, 14 adolescentes e quatro crianças.
Em relação ao perfil racial das vítimas, os números seguem semelhantes aos de levantamentos anteriores. Das 478 ocorrências, 267 foram contra mulheres pardas, 119 contra brancas, 36 contra pretas, 12 contra indígenas e duas contra mulheres amarelas. Em 42 registros, a informação sobre cor ou raça não foi informada no momento da denúncia.
Concentração territorial e cenário das agressões
Em Campo Grande, as notificações se concentram majoritariamente em bairros da periferia. Parque do Lageado, Los Angeles e Jardim Colúmbia lideram os registros, seguidos por Itamaracá, Centenário, Guanandi e Cabreúva, evidenciando um recorte territorial marcado pela desigualdade social.
O ambiente doméstico permanece como o principal cenário das agressões. Ao todo, 303 ocorrências aconteceram em residências ou locais similares, enquanto 78 foram registradas em vias públicas, indicando que a violência também se manifesta fora do espaço privado.
Quanto ao vínculo entre agressor e vítima, os dados mostram que, em 77 casos, a violência foi praticada pelo cônjuge, reforçando o caráter íntimo e recorrente desse tipo de crime.
Violência contra crianças e contexto de vulnerabilidade
Um dos casos registrados neste início de ano chamou atenção pela gravidade. Em um bairro da periferia de Campo Grande, uma criança precisou ligar nove vezes para o 190 até conseguir denunciar as agressões ocorridas dentro de casa. O caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).
Segundo relato da mãe, as agressões eram frequentes e direcionadas principalmente à filha, com episódios de violência física e psicológica desde a primeira infância. A situação só foi interrompida após a denúncia feita pela própria criança, que havia aprendido na escola como acionar a polícia em situações de violência.
Cenário persistente
Para efeito de comparação, em janeiro de 2025, Mato Grosso do Sul registrou 1.961 vítimas de violência doméstica, sendo 744 casos em Campo Grande. Os dados reforçam que, apesar de campanhas e políticas públicas de enfrentamento, a violência contra mulheres segue como um problema estrutural e persistente, já apresentando indicadores elevados logo no início de 2026.
Fonte: Campo Grande News





