Às vésperas do início da campanha “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”, que ocorre de 20 de novembro a 10 de dezembro, novos dados acendem um alerta sobre o enfrentamento das violências de gênero no Brasil.
Uma pesquisa recente mostra que 62% dos brasileiros não se sentem informados o suficiente para ajudar mulheres que estão vivendo situações de violência. Ao mesmo tempo, quatro em cada dez brasileiras não reconhecem certos comportamentos agressivos como formas de violência, o que dificulta a denúncia, a busca por apoio e a interrupção do ciclo abusivo.
Para Beatriz Accioly, antropóloga e líder de políticas públicas pelo fim da violência contra meninas e mulheres no Instituto Natura, os números revelam um desafio estrutural. Segundo ela, a falta de informação não apenas impede que pessoas próximas ofereçam ajuda, mas também contribui para que muitas mulheres permaneçam em relações abusivas sem nomear o que vivem.
Beatriz destaca que a desinformação cria um cenário de vulnerabilidade dupla:
• as mulheres têm dificuldade de identificar sinais de controle e agressão;
• a sociedade não sabe como acolher e orientar quem precisa de ajuda.
Ela explica que reconhecer a violência é o primeiro passo para romper o ciclo — e que isso envolve educação, campanhas contínuas, acesso a serviços públicos e uma rede de apoio preparada.
A antropóloga reforça que os 21 Dias de Ativismo são uma oportunidade para ampliar a conscientização e fortalecer a mobilização social. “Precisamos transformar conhecimento em ação, para que nenhuma mulher se sinta sozinha e para que todas as pessoas saibam como agir diante de um caso de violência”, afirma.
A campanha, realizada no mundo todo, reúne organizações, movimentos sociais, instituições públicas e privadas com o objetivo de difundir informação, estimular denúncias e promover mudanças culturais que garantam a vida e a segurança de mulheres e meninas.
Fonte: Agência Senado





