Pelo menos seis mulheres afirmam ter sido vítimas do professor de Direito e advogado Conrado Paulino da Rosa, em Porto Alegre (RS). As denúncias, investigadas pela Polícia Civil, envolvem casos de estupro, agressões físicas e violência psicológica ocorridos entre 2013 e 2025.
Uma das vítimas, que pediu para não ter a identidade revelada, relatou hematomas no pescoço, braços e região do colo, obrigando-a a usar roupas de manga comprida para esconder os ferimentos. Ela descreveu o relacionamento como um ciclo de manipulação e violência, iniciando-se após contato com o professor em outubro de 2016, depois de uma palestra universitária.
“Disse por três vezes que não queria. Ele insistiu, e a violência física resultou em machucados”, contou a mulher.
O relacionamento teria alternado momentos de afeto e agressão, com episódios de violência física que deixaram ferimentos graves, incluindo deslocamento da mandíbula e hematomas, e impacto psicológico profundo, levando a quadros de depressão e ansiedade. A vítima relatou ainda que o professor exercia controle emocional com frases possessivas e tentou manipular emocionalmente outras mulheres.
Investigação e medidas legais
A Polícia Civil ouviu seis mulheres até o momento e realiza perícias psicológicas para avaliar os relatos. Conrado Paulino da Rosa foi desligado da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), instituição onde lecionava e coordenava cursos de pós-graduação, sem qualquer juízo antecipado sobre os fatos.
A OAB/RS abriu processo ético-disciplinares contra o advogado. A advogada das vítimas informou que todas as medidas judiciais cabíveis foram tomadas, incluindo Medidas Protetivas de Urgência.
Notas oficiais
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Conrado Paulino da Rosa: reafirmou que confia na apuração completa e repudia qualquer forma de violência contra a mulher, lembrando que investigação não equivale à condenação.
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Advogado de defesa: declarou convicção na inexistência de fatos penalmente relevantes, respeitando o sigilo do inquérito.
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Advogada das vítimas: destacou a importância da denúncia e da proteção dos direitos das mulheres, incentivando vítimas de relacionamentos abusivos a buscar ajuda.
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FMP: informou que o professor não integra mais o corpo docente da instituição.
Este caso reforça a importância de mecanismos de denúncia, proteção e acompanhamento às vítimas de violência sexual e psicológica, bem como a necessidade de responsabilização de agressores, independentemente de sua posição profissional ou social.
Fonte: G1





