Espaços comunitários de cuidado e convivência estão transformando o tempo das mulheres em oportunidade. Neste Dia Internacional dos Cuidados e do Apoio, celebrado em 29 de outubro, o Ministério das Mulheres anunciou o investimento de R$ 13 milhões para implantar 17 lavanderias públicas e comunitárias em diferentes regiões do país — uma iniciativa que une autonomia, sustentabilidade e equidade de gênero.
Mais do que locais para lavar roupas, as lavanderias oferecem oficinas, cursos e atividades culturais, criando um ambiente de aprendizado e troca entre as moradoras. Com o tempo antes dedicado ao trabalho doméstico, muitas mulheres têm conseguido estudar, empreender e conviver mais com suas famílias.
Em Caruaru (PE), a artesã Isabel Santiago, de 53 anos, conta que a rotina ficou mais leve:
“Antes, eu lavava tudo à mão e não sobrava tempo pra nada. Agora lavo as roupas em um só dia e uso o resto da semana pra fazer meu artesanato, ir ao médico e aproveitar minha família.”
A lavanderia também virou ponto de encontro entre vizinhas, com horta comunitária e troca de saberes.
“Enquanto as roupas batem, cuidamos da horta e conversamos sobre o que fazemos. É uma corrente de apoio e aprendizado. A gente vê que é capaz de tudo.”
A auxiliar de educação infantil Ingrid dos Santos, de 39 anos, também sentiu o impacto. Mãe de dois meninos, ela agora consegue equilibrar o tempo entre o estágio e o curso de pedagogia:
“A lavanderia veio pra somar. Sobrou um tempinho pra estudar e cuidar da família.”
Além de aliviar a carga doméstica, os espaços funcionam como centros de acolhimento e qualificação profissional, com cursos gratuitos e apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade.
Estrutura pensada para o bem-estar e o meio ambiente
As lavanderias contam com áreas de lavagem e secagem, brinquedoteca, sala multiuso e espaços de convivência. O modelo também aposta na sustentabilidade, com máquinas de alta eficiência que reduzem o consumo de água e energia.
Enquanto as roupas são lavadas, as mulheres podem participar de formações, com as crianças acolhidas na brinquedoteca. Homens e jovens também são convidados a participar, ajudando a desconstruir a ideia de que cuidar é “coisa de mulher” e incentivando o compartilhamento das responsabilidades dentro de casa e na comunidade.
Investimento e expansão
A primeira unidade foi inaugurada em Caruaru (PE) em maio de 2025, com investimento de R$ 471,8 mil. Outras unidades já estão sendo instaladas em Petrópolis (RJ) e Teresina e Parnaíba (PI). Estados como Ceará e Bahia também estão em diálogo para receber os equipamentos.
A meta é consolidar as lavanderias públicas como centros comunitários de cuidado e convivência, onde o tempo livre se transforma em oportunidade, aprendizado e autonomia.
Cuidar é um direito de todas as pessoas
As lavanderias fazem parte do Plano Nacional de Cuidados, que implementa a Política Nacional de Cuidados — uma conquista histórica que reconhece o cuidado como direito e responsabilidade compartilhada entre Estado, famílias, sociedade e setor privado.
Os dados mostram a urgência dessa mudança: mulheres brasileiras dedicam, em média, 21,3 horas semanais a tarefas domésticas e cuidados de pessoas — quase o dobro dos homens. Entre as mulheres negras e de baixa renda, o tempo é ainda maior.
As lavanderias públicas e comunitárias vêm para repartir esse peso e reafirmar que o cuidado é um trabalho essencial, que precisa ser valorizado, reconhecido e compartilhado.
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