O Brasil ultrapassou a marca de 150 mil denúncias de agressão contra mulheres no último ano, de acordo com dados do Ministério das Mulheres. Isso significa que, a cada três minutos e meio, um novo caso chega às autoridades — um retrato da persistência da violência de gênero no país e da importância dos mecanismos de proteção.
A maior parte das denúncias é feita pelas próprias vítimas. Para o governo, o aumento dos registros também reflete mais acesso à informação, maior conhecimento sobre direitos e fortalecimento da rede de apoio, que inclui o Ligue 180, delegacias especializadas e as Casas da Mulher Brasileira.
A secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, destaca que a ampliação de serviços e campanhas tem sido decisiva.
“Observamos um crescimento na capacidade das vítimas de reconhecer que estão em situação de violência. Quando existem canais como o 180, delegacias da mulher e políticas públicas estruturadas, mais mulheres conseguem pedir ajuda”, afirma.
Ligue 180: 20 anos de atendimento
O principal canal para denúncias de violência contra mulheres, o Ligue 180, completa 20 anos na próxima semana. O serviço é gratuito, anônimo, funciona 24 horas e recebe chamadas de todo o país.
De janeiro a setembro deste ano, o canal contabilizou 878 mil ligações, uma média de quase 3 mil atendimentos diários, incluindo denúncias, pedidos de orientação e encaminhamentos.
Romper o silêncio continua sendo decisivo
Mesmo com avanços, o medo ainda é um fator que impede muitas mulheres de buscar ajuda. Especialistas apontam que o primeiro passo é sempre difícil, mas pode significar proteção imediata e prevenção de casos mais graves, como o feminicídio.
O Ministério das Mulheres reforça que a rede de proteção está ativa e acessível, e que a informação segue sendo uma das ferramentas mais importantes para enfrentar a violência doméstica e garantir que mais mulheres encontrem caminhos seguros para romper o ciclo de agressões.
Fonte: SBT News





