A violência sexual contra meninas e mulheres é uma realidade alarmante e próxima de grande parte da população brasileira. Segundo a pesquisa “Percepções sobre direitos de meninas e mulheres grávidas pós-estupro”, 59% dos entrevistados conhecem alguma mulher que foi vítima de estupro até os 13 anos. Entre os que têm 14 anos ou mais, 56% já conhecem uma vítima.
No universo feminino, 15% das mulheres afirmam já ter sido vítima de estupro — o que corresponde a aproximadamente 12,9 milhões de mulheres no Brasil. Entre essas mulheres, 12% dizem que sofreram o estupro quando tinham até 13 anos.
A pesquisa revela ainda que 6 em cada 10 mulheres que foram estupradas quando meninas não contaram o fato a ninguém.
Além disso:
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Apenas 15% das vítimas de estupro até 13 anos e 11% das vítimas com 14 anos ou mais buscaram atendimento policial.
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Na saúde, os percentuais foram de 9% para as vítimas menores de 13 anos e 14% para as maiores de 14 anos.
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Entre quem conhece vítimas que engravidaram por causa de estupro, 52% conhecem casos de meninas de até 13 anos que não interromperam a gestação e 38% conhecem casos dessas meninas que fizeram a interrupção. Para mulheres com 14 anos ou mais, 40% conheceram casos em que não houve interrupção, e 51% casos em que houve interrupção.
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Entre as vítimas entrevistadas, 8% afirmaram que engravidaram em decorrência da violência sexual.
Em relação ao reconhecimento social, o estudo também mostra que 95% dos brasileiros reconhecem ao menos uma situação apresentada como estupro, mas apenas 57% reconhecem todas as situações como configuração de estupro.
Outra percepção expressiva: 96% da população considera que meninas de até 13 anos não estão preparadas física e emocionalmente para serem mães.
Esses dados demonstram, mais do que números frios, uma urgência social: menos silêncio, mais acolhimento, informação e reparação.
Fonte: Agência Patrícia Galvão





