Levantamento BTG/Nexus revela que 65% dos brasileiros são favoráveis à mudança na jornada de trabalho; aprovação chega a 70,9% entre mulheres e 78,3% entre pessoas que recebem até um salário mínimo
A proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de expediente para ter apenas um de descanso, conta com o apoio de 65% dos brasileiros. É o que aponta a pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (19), que também revela maior adesão à mudança entre mulheres, jovens e trabalhadores de menor renda.
Segundo o levantamento, 26,4% dos entrevistados são contrários à aprovação da medida pelo Congresso Nacional. Os resultados indicam que o apoio à redução da jornada de trabalho varia de acordo com fatores como gênero, renda, escolaridade, idade e atividade profissional.
Entre as mulheres, a aprovação chega a 70,9%, quase dez pontos percentuais acima do índice registrado entre os homens, de 61%.
A diferença evidencia como a discussão sobre a jornada de trabalho também se relaciona às desigualdades de gênero, especialmente diante da sobrecarga de tarefas domésticas e de cuidado, que ainda recaem de maneira desproporcional sobre as mulheres.
Trabalhadores de baixa renda lideram apoio à mudança
O apoio ao fim da escala 6×1 é mais expressivo entre os brasileiros com menores rendimentos.
Entre as pessoas que recebem até um salário mínimo, 78,3% são favoráveis à mudança. Já entre os entrevistados com renda superior a cinco salários mínimos, a aprovação cai para 57,7%.
A ocupação profissional também revela diferenças significativas.
Os trabalhadores domésticos apresentam o maior índice de aprovação, com 81,7% favoráveis à proposta. Entre os empresários, o percentual é de 36,1%.
Os resultados mostram que a percepção sobre a mudança na jornada varia conforme a posição ocupada no mercado de trabalho, especialmente entre grupos que vivenciam diferentes condições de remuneração, descanso e organização da rotina profissional.
Mulheres e jovens demonstram maior adesão
Além da renda, gênero e idade também influenciam o posicionamento dos entrevistados.
As mulheres apresentam apoio de 70,9%, enquanto entre os homens o percentual é de 61%.
A diferença ocorre em um contexto no qual muitas brasileiras precisam conciliar o emprego remunerado com responsabilidades familiares, cuidados com crianças, idosos e atividades domésticas.
A redução dos dias trabalhados pode representar uma possibilidade de ampliar o tempo disponível para descanso, convivência familiar, qualificação profissional e atividades pessoais. No entanto, seus efeitos concretos dependem do modelo de jornada que vier a ser aprovado.
Entre as faixas etárias, os jovens de 16 a 24 anos lideram o apoio à mudança, com 72,6%.
Na população de 25 a 40 anos, a aprovação é de 63,8%. Entre pessoas de 41 a 59 anos, o índice chega a 66,3%, enquanto entre os entrevistados com 60 anos ou mais é de 66%.
Nordeste registra maior aprovação
O recorte regional da pesquisa mostra que o Nordeste concentra o maior percentual de brasileiros favoráveis ao fim da escala 6×1, com 78,8% de aprovação.
Na sequência aparecem Norte e Centro-Oeste, com 66,9%. O Sudeste registra 62,4%, enquanto o Sul apresenta o menor índice, de 54,1%.
O levantamento também identificou diferenças conforme o local de residência. Nas capitais, 68,8% dos entrevistados apoiam a mudança. Nas regiões metropolitanas, o percentual é de 65%, e no interior, de 65,4%.
Em relação à escolaridade, a maior adesão aparece entre pessoas com ensino fundamental, com 73,1%. Entre os entrevistados com ensino médio, o índice é de 62,3%, enquanto aqueles com ensino superior registram 63,2%.
Redução da jornada também mobiliza debate político
A pesquisa identificou diferenças de opinião entre grupos de eleitores, indicando que a discussão sobre a jornada de trabalho também está presente no debate político nacional.
Entre os entrevistados que declararam intenção de voto em Luiz Inácio Lula da Silva, 91,4% são favoráveis à mudança, enquanto 5,35% se posicionam contra.
Já entre os que manifestaram intenção de voto em Flávio Bolsonaro, o apoio é de 41,1%, diante de 48,6% contrários à proposta.
Apesar das diferenças entre os grupos, o levantamento aponta que o tema mobiliza eleitores de diferentes posicionamentos políticos.
Debate sobre jornada envolve qualidade de vida e direitos trabalhistas
A proposta de encerramento da escala 6×1 integra uma discussão mais ampla sobre a organização do trabalho no Brasil.
Atualmente, a Constituição Federal estabelece jornada normal de até oito horas diárias e 44 horas semanais, permitindo diferentes formas de distribuição dos dias trabalhados, conforme a legislação e os acordos aplicáveis.
As propostas em discussão no Congresso buscam alterar esse modelo, ampliando o período de descanso semanal e debatendo a redução da carga horária sem diminuição salarial.
Para as mulheres, o debate ganha uma dimensão adicional diante da divisão desigual do trabalho doméstico e de cuidado. Embora a redução da jornada remunerada não elimine automaticamente essas desigualdades, a medida pode ampliar o tempo disponível fora do emprego formal.
A discussão também envolve possíveis impactos sobre a produtividade, a contratação de trabalhadores e os custos das empresas, questões que fazem parte da análise legislativa.
Sobre a pesquisa
O levantamento BTG/Nexus foi realizado entre os dias 16 e 18 de outubro de 2026, com 2.002 eleitores.
A pesquisa apresenta margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.
O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04499/2026.
Os resultados indicam que a mudança na escala 6×1 reúne apoio majoritário entre os brasileiros, especialmente entre grupos que enfrentam menores rendimentos e maiores desafios para conciliar trabalho, descanso e responsabilidades familiares.
Fonte: De Olho na Cidade





