Iniciativa reúne consulta médica, ultrassom e exame hormonal para avaliar a reserva ovariana e orientar decisões sobre maternidade e preservação da fertilidade
Mulheres entre 28 e 35 anos são o público-alvo de uma nova iniciativa voltada ao planejamento reprodutivo. A rede de medicina reprodutiva Fertgroup lançou, em outubro, um pacote de exames que permite avaliar a reserva ovariana e obter orientações médicas sobre fertilidade, gravidez e possibilidades de preservação dos óvulos.
Chamado de check-up da fertilidade, o serviço reúne consulta com especialista, ultrassom transvaginal e dosagem do hormônio antimülleriano (AMH). O atendimento será oferecido inicialmente em cinco clínicas, localizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Teresina e Palmas.
A proposta é incentivar o acompanhamento da saúde reprodutiva antes do surgimento de dificuldades para engravidar, permitindo que as mulheres tenham mais informações para planejar a maternidade de acordo com suas condições de saúde e objetivos pessoais.
Entenda a importância da reserva ovariana
A reserva ovariana corresponde à quantidade estimada de óvulos disponíveis nos ovários em determinado momento da vida.
Diferentemente de outras células do organismo, os óvulos têm uma reserva limitada, que diminui progressivamente com o passar dos anos.
O envelhecimento reprodutivo também está associado à redução da qualidade dos óvulos, especialmente a partir dos 35 anos, quando a diminuição da fertilidade tende a se tornar mais acentuada.
Entretanto, a idade não é o único fator que influencia as chances de gravidez. Condições de saúde, alterações hormonais, hábitos de vida e fatores relacionados ao sistema reprodutivo também podem interferir na capacidade de engravidar.
Por isso, a avaliação da reserva ovariana deve ser interpretada individualmente e não representa uma previsão definitiva sobre a fertilidade futura.
Como funciona o check-up da fertilidade?
O atendimento oferecido pela Fertgroup reúne três etapas de avaliação.
A primeira é uma consulta médica especializada, na qual são considerados o histórico de saúde, a idade e os planos reprodutivos da paciente.
Em seguida, é realizado um ultrassom transvaginal para contagem dos folículos antrais, pequenas estruturas presentes nos ovários que abrigam os óvulos em desenvolvimento.
O terceiro procedimento é a dosagem do hormônio antimülleriano, conhecido pela sigla AMH. Produzido pelas células dos folículos ovarianos, esse hormônio é utilizado como um dos indicadores da reserva ovariana.
Segundo a empresa, o exame hormonal será realizado por meio de uma tecnologia de análise rápida, que utiliza uma pequena amostra de sangue coletada na ponta do dedo. O resultado fica disponível em aproximadamente 12 minutos.
A rede informa que os exames e a orientação médica poderão ser concluídos em uma única visita.
É importante destacar que os testes de reserva ovariana não determinam, isoladamente, a capacidade de uma mulher engravidar naturalmente. Seus resultados precisam ser avaliados em conjunto com outros fatores clínicos e reprodutivos.
Informação para decidir sobre a maternidade
A iniciativa pretende estimular uma mudança na forma como a saúde reprodutiva é acompanhada.
Tradicionalmente, muitas mulheres procuram serviços especializados apenas depois de enfrentar dificuldades para engravidar. A proposta do check-up é oferecer informações que possam contribuir para decisões tomadas antes desse momento.
De acordo com Chris Rego, CEO da Fertgroup, o objetivo é ampliar o acesso ao conhecimento sobre a saúde reprodutiva e permitir que as pacientes avaliem suas possibilidades com acompanhamento especializado.
Dependendo dos resultados e dos objetivos individuais, o médico poderá recomendar exames complementares, acompanhamento periódico ou orientações sobre planejamento da gravidez.
Entre as alternativas que podem ser discutidas está o congelamento de óvulos, procedimento utilizado para preservar óvulos para uma possível tentativa de gravidez no futuro.
A criopreservação, contudo, não garante uma gestação posterior. As chances de sucesso dependem de fatores como a idade no momento do congelamento, a quantidade e a qualidade dos óvulos armazenados.
Avaliação deve considerar outros fatores de fertilidade
Embora a reserva ovariana seja um indicador importante da saúde reprodutiva, ela não oferece uma avaliação completa da fertilidade.
Outras condições podem influenciar a possibilidade de gravidez, incluindo alterações uterinas, problemas nas tubas uterinas, distúrbios hormonais e fatores relacionados à fertilidade do parceiro.
Por esse motivo, a interpretação dos exames deve ser realizada por profissionais especializados, considerando o histórico clínico e as necessidades de cada paciente.
A avaliação também não substitui o acompanhamento ginecológico regular nem significa que todas as mulheres entre 28 e 35 anos precisem realizar testes de reserva ovariana.
Atendimento será oferecido inicialmente em quatro cidades
A primeira etapa da iniciativa está prevista para ocorrer entre 15 de outubro e 31 de dezembro de 2026, com a participação de 13 médicos especialistas.
O pacote será disponibilizado nas clínicas Fertility e VidaBemVinda, em São Paulo; Clínica Vida, no Rio de Janeiro; Fertvida Prime, em Teresina; e Gerare, em Palmas.
O valor anunciado é de R$ 299,99, com possibilidade de expansão do serviço para outras unidades da rede.
A iniciativa reforça a importância de ampliar o acesso à informação sobre saúde reprodutiva, especialmente em um contexto no qual decisões sobre maternidade envolvem fatores pessoais, profissionais, econômicos e de saúde.
Mais do que identificar indicadores hormonais, o acompanhamento médico pode contribuir para que as mulheres compreendam suas possibilidades reprodutivas e façam escolhas informadas, respeitando seus próprios projetos de vida.
Fonte: Veja





