O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que a violência contra mulheres, incluindo feminicídios, representa uma emergência global. A declaração foi feita nesta sexta-feira (27), durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.
Segundo ele, cerca de 50 mil mulheres e jovens foram assassinadas no mundo em 2024, a maioria das mortes cometida por familiares ou parceiros. Para Türk, os números evidenciam a dimensão estrutural do problema.
O comissário citou casos recentes que ganharam repercussão internacional, como o de Gisèle Pelicot, na França, e os crimes associados ao norte-americano Jeffrey Epstein. Türk afirmou que episódios como esses revelam padrões persistentes de exploração e abuso contra mulheres e meninas, muitas vezes sustentados por estruturas sociais que silenciam vítimas e dificultam a responsabilização de agressores.
Ele defendeu que os países investiguem todas as denúncias, garantam proteção às sobreviventes e assegurem justiça sem favorecimentos ou intimidações. Também alertou para o que classificou como um cenário de ameaças crescentes aos direitos de mulheres e jovens em diferentes regiões do planeta.
No discurso, Türk ampliou a crítica ao contexto internacional, manifestando preocupação com a crescente normalização do uso da força para resolver disputas. Segundo ele, o número de conflitos armados quase dobrou desde 2010, chegando a cerca de 60 atualmente.
O alto comissário também condenou o que chamou de indiferença diante de violações do direito internacional humanitário. Ele destacou que ataques a hospitais e instalações de saúde, que antes provocavam forte reação internacional, tornaram-se recorrentes, com média de dez registros por dia, segundo dados recentes.
Para Türk, a falta de reação diante de atrocidades contribui para sua repetição e enfraquece os pilares do direito internacional e dos direitos humanos. Em publicação na rede social X, ele reforçou que regimes autoritários tentam convencer a população de que não há alternativa, mas afirmou que os direitos humanos permanecem como instrumento de resistência e transformação.
Fonte: Jornal de Brasília





